quinta-feira, 4 de setembro de 2008

The notebook

Durante as férias perdeste-te em pensamentos, encontraste-te em caminhos desconhecidos e tão familiares por serem a concretização real daquilo que anteriormente não passou de um sonho.Andaste longe, afastaste-te de tudo, mas a verdade é que com o sucessivo acréscimo de quilómetros e da pulsação cardíaca, sentias-te cada vez mais próxima. Próxima do teu cantinho, próxima de quem amas, próxima da vida, próxima de ti.Estar próximo não implica tocar, implica sim dar valor, pensar o quanto é bom relembrar o que deixámos e o que nos aguarda e preenche o nosso destino…se eventualmente ele existir.O regresso é sempre feito na presença de um misto de sensações. Queres andar para a frente porque tens saudades, queres voltar para trás porque viajar é simplesmente algo que te completa. Colocas tudo na balança, ganha o caminho em frente pois entendes que a tua vida começa a ser feita de procura de estabilidade, pertences a um só lugar e não a várias partes da Europa onde decerto cada história não passará de algo passageiro.Relembras agora que não pertences a um só lugar, pertences igualmente a um só pessoa. Estes dias serviram para testares até onde a tua saudade voa, até onde o teu sentimento é capaz de ir, até que ponto o teu coração é capaz de apertar e o teu corpo de dar sinais de ansiedade. E para apimentar toda a situação, leste as melhores mensagens, tiveste os telefonemas mais impulsivos, sentiste a sensação mais que espontânea de completar um mês, o primeiro mês de toda a tua vida que desejas transformar em anos. Tens mais que motivos para acreditar que é possível e consegues ganhar todas as certezas quando te sentes com vontade de nunca ter partido daqueles braços que amas.Tomas agora noção do quanto é bom teres quem se lembre de ti e te mande todos os dias uma mensagem nem que seja com o mais confortante “bom dia”. Também recebes notícias ou frases espontâneas como “adoro-te”. Se imaginassem a importância disso…Consegues facilmente entender que ter amigos é uma dádiva. Prometes a ti mesma fazer de tudo para os manter. Aliás, começas a aprender que não precisas prender ninguém, naturalmente ficará contigo até ao fim quem tiver de ficar e realmente importar.Estás de regresso a casa, rebobinas na mente a cassete das tuas férias. Páras e recomeças agora tudo de novo. Impressionante como simples recordações podem ser tão visíveis e o melhor é que como quando vês um filme pela segunda vez, também agora tens a capacidade de reparar nos pormenores desprezados quando tudo era tão claro.A lomografia do momento reportou-se a um filme 3D ampliado.Estás deitada a escrever, mas ainda consegues sentir o cansaço do motor do carro, do condutor e do pendura…que és tu. Consegues sentir os glúteos dormentes e o ar condicionado a bater na cara. Consegues sentir a mesma frustração de ter de montar a enorme tenda duas vezes num mesmo dia, ou o enjoo da falta de variedade da comida...anseias que a balança não reclame.Parece assustador não? Meus caros, isto é aventura! É o bichinho que se instalou no estômago desde que usas fraldas, e que dá sinais de vida quando o Verão te faz lembrar quantas terras ainda te são desconhecidas por essa Europa onde te orgulhas de dizer que já conheces mais de metade e a podes tratar por “tu”.Recuas no tempo. Repartes a viagem em três partes: as aventuras do inicio, o longínquo do meio e o encontro com a família, no fim.Cada lugar marcou-te e decerto tem a tua marca. Nunca te julgues indiferente ao meio que te rodeia, o mundo sabe que por ali passaste, pela risca preta das rodas da bicicleta ou pela relva que amolgaste com a tenda ou pelos sorrisos que distribuíste a quem te acenava uma “boa tarde” sem saber de onde vinhas e para onde ias.

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