sábado, 24 de julho de 2010

Diário de Bordo III

Impressionante como nos “confins” do mundo conseguimos ter internet.

É verdade…estou na Bósnia, em Sarajevo, mais propriamente em Ilidza.

O Parque de campismo oferece as condições para pernoitarmos hoje e seguir viagem amanhã para Dubrovnik (Croácia).

Hoje a etapa, embora não exageradamente longa, tornou-se maior pois as estradas na verdade não são as melhores para “comer” quilometragem.

Ora bem, falemos do que realmente interessa contar…

Os dias por estas bandas amanhecem cedo (e o relógio biológico do meu pai também, ahaha!) e como tal por volta das 6h iniciámos o arrumar da “trouxa” pois pela fresca a viagem é mais produtiva.

Chegada à fronteira, páramos para mostrar o passaporte à Croata. Seguimos acreditando que a passagem estava mais facilitada, mas fomos surpreendidos por mais dois controlos da Bósnia. Um deles, com ar e conversa de quem ia dificultar a entrada, acabou por se render a um ar ingénuo e ao sorriso de quem alegou dirigir-se em “holidays” para a capital.

Bósnia…um contraste só passível de descrever enxergando com os próprios olhos.

Observámos muita emigrantada que regressa provavelmente do país onde trabalha para continuar a construir por cá a casa de tijolos que assim ficou meses e meses…vêem provavelmente colocar um pouco mais de cimento.

Vi paisagens comuns e outras muito características.

Vi casas destruídas por bombas e cheias de buracos…disparos que relatam um passado, uma guerra. E atenção, encontramos prédios assim em plena cidade. (tenho fotografias)

Têm muitos cemitérios, dão enorme relevância a isso e todas as campas estão viradas a Ocidente, próprio da religião.

Poucos ou nenhuns são os que falam inglês. Na moeda deles, 2 KM correspondem a 1,08 euros (aproximadamente) e na verdade quando pagamos em euros eles tentam arredondar de tal maneira a ganhar alguma “gorjeta”. É flagrante!

Gostava que todos tivessem a oportunidade de constatar situações como ver crianças de 5 a 10 anos no meio das avenidas onde “brutos” carros passam depressa ou só param nos semáforos e elas tentam a oportunidade de lavar o vidro em troca de quase nada. Entristece, acreditem. Ou então passarmos nas estradas no meio “do nada” e cruzarmo-nos com inúmeras banquinhas de pessoas que passam ali o dia a tentar vender cd’s gravados, peles e tapetes, velharias e o maior cúmulo: bagos de qualquer coisa que se assemelha a amoras, mas em quantias mínimas.

Vemos pessoas nos quintais a contemplar o nada, penso que a questionarem uma vida que provavelmente não saiu daqueles metros quadrados. Mexeu comigo.

No meio de tanta pobreza fiquei parva com o acto de a partir das 9h da manhã os cafés estarem cheios de pessoas com cerveja na mão.

Aproveito para constatar que tive a oportunidade de provar a “Karlovack” e é muito boa!

A aventura surge agora…na procura do parque de campismo.

Tinhamos assinalado um, mesmo no centro de Sarajevo. Encontrá-lo foi uma maluqueira que não deu em nada, perdemos cerca de duas horas.

Comecei por me dirigir a uma esquadra da polícia, onde a língua inglesa era quase nula, mas a recepção foi do melhor. Só queria tirar uma dúvida mas a verdade é que me convidaram logo a sentar, ofereceram-me o almoço deles, frango com batatas fritas e coca-cola. Foram buscar-me um copo e tudo (foi caricato), rejeitei mas fiquei bastante grata com tal hospitalidade. Nos decorridos 15 minutos lá dentro, dei por mim rodeada de 5 homens a “ladrarem” esta língua estranha, cada um a dar a sua sentença, a fazerem desenhos…e na verdade saí de lá nada convencida.

Fomos para o centro da cidade, perguntámos a todo o tipo de pessoas até encontrarmos um rapaz que se ofereceu para nos guiar (guiando ele uma mota) até ao suposto local. Por entre as ruelas mais inexplicáveis pela primeira vez tive medo e só pensava onde nos teríamos a meter. Com as portas trancadas lá o seguimos até à porta de uns homens com pinta de tudo menos proveniente da Bósnia, género de inglês que explora a zona.

Saí do carro para ir falar com eles, e a última coisa que me deu para dizer ao meu pai foi “deixa o carro em forma de bazarmos daqui rapidamente caso algo comece a correr mal!”

O diálogo foi a coisa mais estranha de sempre. Perguntei se era ali camping, se podíamos lá ficar. A resposta foi do género “sim, eu arranjo-vos tudo o que quiserem. Agora, dêem mas é qualquer coisa ao ‘gajo’ da mota, ele quer gorjeta e não se vai embora”. Eu fiquei feita parva com aquela situação. Tinhamos uma miséria de 7 KM de troco de uma portagem, e achei aquilo rídiculo que sem dúvida nunca daríamos euros, entao agarramos em 2 KM e demos-lhe alegando que era tudo o que tinhamos. Eu até estava com medo da cara de mafioso do rapaz, mas ele deve ter achado que eramos um coitados e já nem queria aceitar, mas nós insistimos. “Epa” agora pensando bem foi um momento ridículo, até porque de seguida os outros pedem para nós esperarmos e foram embora do nada. Não sei se era para irmos atrás, mas a verdade é que saímos dali tão depressa quanto pudemos. Felizmente viemos desencantar outro parque mais nos subúrbios, e é daqui que vos escrevo.

Hoje à tarde depois de almoçarmos as 16h e dormirmos a sesta um pouco mais tarde, estavámos no primeiro sono quando somos surpreendidos por três ou quatro tiros atirados ao ar. Ainda por cima aqui perto uma pessoa fica em pânico. Mas nada de alarmes pois segundo consta, já na época do Kosovo quando o meu pai lá esteve em missão, mandar tiros era normal para comemorar casamentos e datas festivas do género.

Bem já me estou a alongar, é tarde e amanhã é mais um dia bem preenchido. Queria só dizer que tive a oportunidade de conhecer a noite em Sarajevo, e…não há palavras!!! Só bares, só música, as raparigas e rapazes são todos altos, bem constituídos, todos com cara de bonecos. Tivemos sorte pois apanhámos um sábado à noite…isto é de tal maneira característico, que arrisco-me a dizer que nunca vi uma “noite” assim.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Diário de Bordo II

Desde que abandonámos a Suiça este é o segundo parque de campismo que frequentamos. O anterior foi em Itália, e hoje é a segunda noite que ficamos na Croácia. Sim já cá estamos…amanhã partiremos de Plitvicka, mas não para abandonar de vez o país pois na verdade ele ainda nos vai ocupar muita noite desta viagem. Amanhã partimos na tentativa de entrar na Bósnia para lá ficar apenas uma noite em Sarajevo, e regressar à Croácia. Não sabemos como facilitam a entrada nas fronteiras mas a verdade é que estamos confiantes, pelos vistos eles precisam de turistas. Hoje perguntámos a um Croata se sabia se no país vizinho aceitam Euros, pelo que a resposta foi “eles aceitam tudo o que lhes derem, Euros…Kunas…qualquer coisa.”

Deixando de lado relatos pormenorizados, interessa-me falar do que marca realmente esta viagem. Para além dos quilómetros já feitos (calculo por alto cerca de 3.228km), já aconteceram coisas boas e outras menos “bacanas”.

Ainda recordando a Suiça, deu para me banhar, apanhar um grande escaldão, matar saudades e, para a última noite ficou reservado uma longa noite, de grande conversa, choro, riso, desabafo..na verdade eles possibilitam o melhor e faz-me falta, por vezes, ter pessoas como eles a meu lado diariamente. Obviamente que no dia seguinte tinha uma ressaca de cansaço em cima (e não só…mas o que acontece em Chermignon, por lá fica).

A viagem anterior, a caminho da Itália, proporcionou óptimas paisagens e grandes panoramas, deu muita vida ao olhar daqueles que tudo querem conhecer.

Ontem, a chegada à Cróacia gerou mais stress. Engraçado como se nota a sobrecarga entre quem viaja. O que eu quero dizer é que o cansaço, o medo, o acelerar das emoções gera respostas ou acções mais precipitadas e impulsivas próprias de quem tem muito para dizer mas não sabe como o expressar. Nós não somos excepção à regra. Viajar é muito bom, sortudos aqueles que o podem fazer…mas nem tudo é coberto de perfeição.

À parte das emoções humanas, há outros factores que influenciam todo o percurso mas que nos transcendem.

Já dentro da Eslovénia, “dando graças ao abençoado” ar condicionado que nos anima nas piores alturas, no meio da via rápida onde a monotonia dá lugar ao voar dos pensamentos deparei-me com fumo no interior do carro, cada vez mais e mais, comecei a gritar, reagimos os dois em abrir os vidros e encostar logo o mais depressa para entender de onde vinha. Admito que o coração disparou e na altura só pensei que as férias tinham acabado, que o “boguinhas” tinha dado a última. Obviamente que isto é a dramatização do momento. Tinha sido no isqueiro do carro, devido à ligação ao GPS e ao frigorífico, o calor da sobrecarga entre os fios (acessório colocado pelo meu pai) tinha queimado aquilo tudo. Estava uma lástima. Felizmente hoje o problema já está resolvido, mas ontem na saída da Eslovénia sem GPS e com as baterias fracas vimo-nos “gregos” para decifrar a falta de informação de placas.

Tudo isto deu lugar ao engano em sítios onde tal não podia acontecer: dentro de grandes cidades como Rijeka, onde apenas queríamos levantar kunas, o inglês deles é absolutamente imperceptível e andámos às voltas. Mas lá nos orientamos.

Neste momento escrevo do AutoKamp Korana, em Plitvicka, zona característica por conter 16 lagos e 92 cataratas/cascatas. Levantámos bem cedinho pois o calor por aqui é imenso, já não estava habituada a isto, e passámos por lá a manhã toda. Fartamo-nos de andar, no final é que tive noção do quão longíquo aquilo foi, mas o que contemplei camuflava a cada passo todo e qualquer cansaço. Nunca conseguirei descrever o que vi hoje! Não quero parecer exagerada nem fazer já juízos de valor das coisas bonitas que ainda hei-de ver, mas arrisco-me a dizer que foi a paisagem Natural mais perfeita que alguma vez vi na vida! E atenção que já ando nesta vida desde que uso fraldas.

Tenho fotografias lindas, panoramas perfeitos!

Admito que isto até me motivou mais para o que ai vem, e aguçou o meu espírito que aventura que partiu de Portugal um bocadinho adormecido.

Já me estou a estender muito, mas a verdade é que quero relatar ao máximo tudo…e ter internet pelos parques de campismo é sempre uma incógnita.

Reforço a ideia de que deixarmos pessoas para trás é bom, aumenta a saudade que sentimos de algumas e informa-nos o quão suportamos a ausência de outras.

Até breve…

“São estas as regras da sensatez…vais sentir que desta, que desta foi de vez!”

domingo, 18 de julho de 2010

Diário de Bordo

Segunda-feira, 19 de Julho 2010, 1h00

Fora do que é Nacional, tornamo-nos mais velhos por uma hora. Maneira eufemista, talvez, de empregar o que se quer dizer.

Queria ter escrito mais cedo… mas aquilo ao qual nos dedicamos impossibilitou de levar avante todas as frentes.

Finalmente de dormida na Suiça posso relatar os dois dias que ficaram para trás…

À dois anos a mania das grandezas foi semelhante à de agora, ou seja, Suiça-Portugal foi uma rapidinha de um dia e noite bem preenchidos onde o desejo de regressar à Terra se fazia sentir. Agora no sentido inverso é um autêntico atentado, iniciar as férias com tal aventura tornou-se no verdadeiro ponto fraco para os viajantes que tudo ambicionam. Ainda assim tudo se tornou mais facilitado pois dividimos as tarefas, tive a possibilidade de fazer Lisboa-Tordesilhas, e já peguei no volante mais vezes, para dar descanço à idade que já vai pesando no meu “velhote”. Foi bom para começar a desenvolver algo que nos acompanha pela vida, acima de tudo eu gosto muito.

Passada a primeira noite em claro, ontem já fomos dormir a um Parque de Campismo no meio de França. O cansaço era tanto que às 20h estava prestes a “ressonar”. A ultima imagem que tenho é de olhar para fora da tenda e estar o Sol ainda tão alto, que por momentos passava bem por um amanhecer. Nunca tinha visto nada assim! À beira do parque situava-se um “lac” que de manhã apresentou um fenómeno estranho, a água devia ser tão quente, que não se via lago…apenas uma enorme camada de fumo a sair. Diferenças de temperatura, algo interessantíssimo e bonito de se ver.

Seguimos viagem, passamos por locais maravilhosos dignos que voltar para explorar (entre

Guéret e Desertines)…mas fica para a próxima porque os nossos objectivos são outros, e bem longe daqui. Quando chegarmos à fronteira do que pretendemos, já levamos 3.000 km de viagem. Como o outro dizia “isso já é lavar rabinho a meninos”.

A recepção aqui hoje em Chermignon d’en Haut foi espectacular, para não fugir à regra.

Obviamente que em festa de “portugas” o que não falta é boa disposição e…cerveja!

O Baileys da “praxe” está guardado para terça-feira, a noite da despedida onde a conversa com a Prima vai desenrolar como outrora e inúmeras vezes o fizemos.

O que ficou para trás deixou saudades.

Como nem tudo é eterno, devemos deixar para trás o mau e o bom. O mau, porque assim dá-nos espaço para entendermos que nada daquilo interessa. O bom, para sabermos avançar sozinhos em qualquer situação daqui em diante.

Acho que fui bastante clara.

Por aqui o sono já vai pegando. Cometendo plágio das palavras da Kika: “a caravela vai dormir, lançar âncora…”

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Enquanto aí estiveres...

Como seria se perdesses as memórias, a noção de quem és e de quem foste, as lembranças que acumulámos...tu e eu, num mundo só nosso?
Nessa altura gostava de ter a oportunidade de te ler uma história, que embora familiar para mim e estranha para ti, concerteza alguns pormenores seriam reconhecidos ainda que somente pelo teu coração.
Contar-te-ia o bom e como foi superado o mal, ilustraria as paisagens e locais que visitaste tendo a certeza que as minhas desrições seriam claras na tua cabeça, conseguirias imaginar tudo, pois noutrora o contemplaste.
Podias perguntar inúmeras vezes quem eu era, o que fazia ali...pela primeira vez sentiria que se te mentisse, não terias capacidade de analisar o olhar que puseste ao mundo.
Na história, haveria espaço para todo o tipo de relatos, incluindo os defeitos e fraquezas de todos os que interferiram na tua vida. Ninguém foi perfeito, houve alturas em que tu própria não o foste...nem eu. A vida é feita de escolhas, não te condeno por nenhuma, pois talvez tivesse seguido o mesmo caminho no teu lugar.
Ainda que longe sinto-te tão perto, tão cheia de conselhos, tão repleta de abraços, tão minha...
Por tudo isto e muito mais é que enquanto aí estiveres, quero que te lembres sempre de quem és para mim.

Isto será apenas o inicío das palavras que nunca te disse...

Ana Filipa

sexta-feira, 20 de março de 2009

E se inventássemos partir, para regressar? Quero partir, aqui, para ficar...Quero fugir para longe, deixar-nos para sempre naquele lugar tao perto! Perto de mim, de ti, de nós!Contigo levaste...de ti deixaste...tornou-se tudo na maior troca de momentos, recheados de instantes eternos. Eternidade nao no tempo, mas na recordaçao, na saudade, no sempre.Fizeste a promessa de aquela nao ser a ultima despedida! Cumpriste! Estiveste aqui comigo.Inventámos fugir...nao pensava em voltar. Quero partir, aqui, para contigo ficar...

Ana Filipa

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Je t'embrasse dans mes rêves

Já a algum tempo que não te escrevo, na realidade já há alguns dias que não falamos nem tenho noticias tuas…Confesso que o dia-a-dia camufla toda a saudade que se possa sentir.Apesar de ter uma vida rotineira, acabo por andar sempre entretida e abstraída, nem que seja com alguma coisa fútil…depende do referencial.Ouço as tuas músicas diariamente e faço questão de ouvi-las inúmeras vezes, como se fossem o único momento em que pertences ao meu espaço. Longe ou perto já o invadiste, mesmo que involuntariamente.Apercebo-me do quanto gosto de escrever…aliás, de te escrever.Nestas palavras muitos são aqueles que encontram algo para gozar.Destas palavras, poucos são aqueles que sabem retirar alguma coisa.Estas palavras estão repletas de sentido e, se no meio de tanto jogo de palavras não entenderes nada do que te quero dizer, não faz mal! Só pelo facto de me motivares a dizer o que me apetece…já valeu a pena!Bem, na realidade, nem há muito para dizer. Haveria se existisse uma história no passado ou no presente. Estranho esta situação.Todos estes textos são apenas textos grandes, pois na realidade não são grandes textos, e acho deveras engraçado a quantidade de pessoas que não passará da primeira frase. Por isso é que não escrevo para mais ninguém. Se dedicasse isto a grande maioria que por aqui passa, uns gozariam, outros perderiam a paciência, outros não entenderiam nada e muito menos dariam o devido valor.Não sei se esta será a ultima carta que te escrevo! Deixei de ter o que te dizer e decerto compreendes.Mas agora não perderei a vontade de relatar o que me apetecer a quem quer que seja, aliás, comparar-te a qualquer um seria injusto…escreverei apenas a quem merecer tais palavras, do mais simples que existe mas do mais sincero que alguém um dia poderá receber. E isto não é um “adeus”…é um “até logo”. Bisous

Pour Sam

Parece q desta vez não irás para sempre! A suposta despedida ficará marcada pelas palavras que trocámos, mas será prolongada com mais diálogos, sorrisos, sonhos e imagens tuas de cabeça para baixo. =PÉs o inalcançável tão próximo, és o desconhecido mais fiel, és o único que vê o meu cabelo azul e mais do que isso és o único que dá mistério ao que é comum e banal…tornas-me mítica, és único!É estúpida esta “fenêtre” que acentua esta estúpida distância que promove um estúpido vício, o vício de querer falar quando estupidamente não há nada para dizer, o vício de sentir uma estúpida saudade de alguém ao qual não se deu sequer um estúpido abraço.Tanta estupidez junta só podia resultar da tristeza de não poder ser tudo como se quer.Com certeza te interrogas porque te darei eu tanta importância…Engraçado…também eu me questiono sobre isso. Talvez seja por realmente não te conhecer, talvez seja por estares nesse palco onde só vejo a peça que me queres mostrar e a única que eu paguei para ver, não conheço os bastidores. Talvez seja um refúgio de tudo o que por aqui se passa, me ultrapassa e surpreende negativamente. Talvez seja a procura da perfeição que aqui não tenho, ou talvez da necessidade de ouvir palavras tuas que eu não compreendo, são docemente francesas e para mim isso chega. Por aqui sei o significado de todo o vocabulário, já não há mistério em nada, tudo é previsível e não sei distinguir o comum do cínico.Conseguiste captar uma mágica curiosidade e acredito que tudo pode ser possível. Ultimamente uma amiga minha ensinou-me que grandes situações se proporcionam quando lutamos por elas, longe da palavra “não” ou “nunca”. Por isso aqui fico eu, na sombra da esperança de um dia te dizer ao ouvido, com sinceridade, a última frase na noite da suposta despedida…”Je t’adore”!

"Pour ma Wendy"

"L'imaginaire nous emporte dans les fantasmes les plus alléchants, mon plus grand désir serait qu’ils se transforment en réalité, mon plus grand désarroi est que généralement cela ne se passe que dans les films. A moins que l'on prenne ses désirs pour des réalités.Crois moi je plane sur l'optique que notre histoire quelque peu particulière se concrétisent et se construisent tels un beau roman d'amour charger d'émotions, d'aventures humaines et de moments inoubliables qui nous prouvent que nous sommes bien en vivant sur ce monde au milles possibilités. Ce ne sont pas les kilomètres qui font la distance entre les gens, ce sont les gens qui font les distances.L'amour est la seule chose dont on n'a jamais assez. Et la seule qu'on ne donne pas suffisamment.Mille bisou ma Wendy, j'espère qu'un jour j'apparaîtrais a ta fenêtre pour t'enlever, pour nous enlever de cette bucolique histoire virtuelle.Je t’embrasse. Sam "

Merci

Ouço as músicas que me enviaste. Algo único e tocante, tão diferente daquilo que costumo ouvir ou gostar.Procuro ouvi-las mais uma vez e outra, como quem tem necessidade de recordar algo que nunca viveu.Apareceste do nada, do nada te foste e tão depressa voltaste como agora num instante te vais!Aproveito finalmente para dizer que como tu, também em mim a felicidade acaba muitas vezes em forma de tortura.Vejo o teu sorriso, mas não lhe posso tocar.Ouço tudo de bom que me dizes, mas não te posso abraçar.Idealizamos, não o futuro, mas o passado que acreditámos ter existido na outra vida!É óptimo sonhar, mas muitas vezes voamos tão alto que a queda acaba por magoar ainda mais.Admiro o teu esforço em falares o português. Contigo tenho diálogos que duram horas, tema não falta, entendo-te melhor a ti do que à grande maioria que vive na minha vida por rotina.Termino este ano feliz porque reapareceste. Inicio o novo ano mantendo o sorriso, não por felicidade, pois sei que as saudades apertarão, mas pela esperança, aquela que nasceu com a tua promessa de eu não ser esquecida e de me escreveres.Ficará também gravada a tua voz, a tua inesquecível pronúncia, a tua delicada leitura e a profunda maneira de, envergonhadamente, leres aquele texto.Descrever aqui a minha reacção no final, é impossível.Para alem disso, és o único digno de receber aquelas minhas expressões, pois pareces compreende-las tão bem. Um olhar diz tudo…Conheço-te tão pouco e já conquistaste tanto.Merci mon amie, mon ange français...

Le principal motif...

"T’avoir sur MSN est un véritable bonheur mais au fil des minute au fil des mots au fil des sourires que tu m'envoi cela devient presque une torture, une torture de ne pas t’avoir a coter de moi.Quand je te vois à travers cette fenêtre, j'ai un sentiment réel de frustration car tu es trop loin. La technologie nous a rapprocher, mais ce n'est que pour plus me donner ce sentiment de jalousie qu'est celui que je éprouve envers ton clavier qui lui a la chance dette prêt de toi et d'essuyer les nombreuses caresse que tu lui assené.Écoute je vais partir maintenant. J'ai ainsi gravé dans ma mémoire un doux souvenir de toi. Je vais ainsi pouvoir ce soir être a coter de toi a travers mes rêves, mes rêves d'être avec toi.Je t’embrasse douce princesse. Sam"

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

The notebook

Durante as férias perdeste-te em pensamentos, encontraste-te em caminhos desconhecidos e tão familiares por serem a concretização real daquilo que anteriormente não passou de um sonho.Andaste longe, afastaste-te de tudo, mas a verdade é que com o sucessivo acréscimo de quilómetros e da pulsação cardíaca, sentias-te cada vez mais próxima. Próxima do teu cantinho, próxima de quem amas, próxima da vida, próxima de ti.Estar próximo não implica tocar, implica sim dar valor, pensar o quanto é bom relembrar o que deixámos e o que nos aguarda e preenche o nosso destino…se eventualmente ele existir.O regresso é sempre feito na presença de um misto de sensações. Queres andar para a frente porque tens saudades, queres voltar para trás porque viajar é simplesmente algo que te completa. Colocas tudo na balança, ganha o caminho em frente pois entendes que a tua vida começa a ser feita de procura de estabilidade, pertences a um só lugar e não a várias partes da Europa onde decerto cada história não passará de algo passageiro.Relembras agora que não pertences a um só lugar, pertences igualmente a um só pessoa. Estes dias serviram para testares até onde a tua saudade voa, até onde o teu sentimento é capaz de ir, até que ponto o teu coração é capaz de apertar e o teu corpo de dar sinais de ansiedade. E para apimentar toda a situação, leste as melhores mensagens, tiveste os telefonemas mais impulsivos, sentiste a sensação mais que espontânea de completar um mês, o primeiro mês de toda a tua vida que desejas transformar em anos. Tens mais que motivos para acreditar que é possível e consegues ganhar todas as certezas quando te sentes com vontade de nunca ter partido daqueles braços que amas.Tomas agora noção do quanto é bom teres quem se lembre de ti e te mande todos os dias uma mensagem nem que seja com o mais confortante “bom dia”. Também recebes notícias ou frases espontâneas como “adoro-te”. Se imaginassem a importância disso…Consegues facilmente entender que ter amigos é uma dádiva. Prometes a ti mesma fazer de tudo para os manter. Aliás, começas a aprender que não precisas prender ninguém, naturalmente ficará contigo até ao fim quem tiver de ficar e realmente importar.Estás de regresso a casa, rebobinas na mente a cassete das tuas férias. Páras e recomeças agora tudo de novo. Impressionante como simples recordações podem ser tão visíveis e o melhor é que como quando vês um filme pela segunda vez, também agora tens a capacidade de reparar nos pormenores desprezados quando tudo era tão claro.A lomografia do momento reportou-se a um filme 3D ampliado.Estás deitada a escrever, mas ainda consegues sentir o cansaço do motor do carro, do condutor e do pendura…que és tu. Consegues sentir os glúteos dormentes e o ar condicionado a bater na cara. Consegues sentir a mesma frustração de ter de montar a enorme tenda duas vezes num mesmo dia, ou o enjoo da falta de variedade da comida...anseias que a balança não reclame.Parece assustador não? Meus caros, isto é aventura! É o bichinho que se instalou no estômago desde que usas fraldas, e que dá sinais de vida quando o Verão te faz lembrar quantas terras ainda te são desconhecidas por essa Europa onde te orgulhas de dizer que já conheces mais de metade e a podes tratar por “tu”.Recuas no tempo. Repartes a viagem em três partes: as aventuras do inicio, o longínquo do meio e o encontro com a família, no fim.Cada lugar marcou-te e decerto tem a tua marca. Nunca te julgues indiferente ao meio que te rodeia, o mundo sabe que por ali passaste, pela risca preta das rodas da bicicleta ou pela relva que amolgaste com a tenda ou pelos sorrisos que distribuíste a quem te acenava uma “boa tarde” sem saber de onde vinhas e para onde ias.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Questionando

Questiono-me se vale a pena...
Pergunto-me se lês o que escrevo.
Pondero se entenderás que é para ti ou se te afastas por achares que é para outrem.
Desejo que isto acabe, quando na realidade ainda nem começou. Conheço-te tão pouco…mas já disseste tanto, um tanto que é nada, um nada que o coração quer transformar em tudo, um tudo que a razão não aceita. Eu não aceito. Parvoíce! Não posso aceitar.
Reformulo o velho ditado: “os sentimentos têm razões que a própria razão desconhece.
Desconheço o que sinto…mas sinto!
Fujo da ansiedade de ter noticias tuas…mas ela persegue-me, pressiona-me. Não gosto de ser pressionada!
A expressão do teu olhar tornou-se suficiente para desejar quebrar promessas…grave! Não pode ser assim.
Mas o que não pode ser assim? Quebrar promessas ou fazer promessas que não devem ser feitas? Começo a apostar na segunda hipótese. O dia-a-dia é que condiciona a minha vida que é feita de momentos, quanto mais voamos e idealizamos, maior será a queda.
Sim, com isto entendesse que já ando a voar, ainda que baixo.
Se os momentos fossem para sempre, tudo seria mais fácil, mas “o sempre, sempre acaba”…
Pondero tudo o que estou a sentir.
Pergunto-me se sentirás esta mesma idiotice.
Questiono-me se vale apena.

sábado, 24 de maio de 2008

After "The Lake House"

Hoje ela encontrou-se perdida em pensamentos.
Falando de uma maneira mais sincera, hoje ela finalmente arranjou tempo para…vontade de…
Sim, andarmos perdidos não é totalmente negativo, talvez se processe como a solidão, umas vezes insuportável…noutras, o bem mais necessário.
Talvez seja a melhor maneira de lutarmos por encontrar algo, arranjar um sentido.
Hoje ela teve vontade de viver algo diferente, sentir algo novo, sorrir para um rumo que parece nunca mais chegar, levando mesmo a crer que uma vida não é suficientemente longa para o descobrir. Difícil aceitar isso…
Hoje ela viu um filme. Sim…era deveras uma história extraordinariamente impossível, mas que a fez crer, acreditar (ou não fosse o extraordinário aquilo que realmente mais se deseja).
Hoje ela sentiu um aperto no peito. Não é por amar, pois não ama, não sabe o que isso é e nunca teve motivos que a levassem a descobrir. O que apertou foi a vontade…a vontade de amar. Amar algo impossível que se concretize, amar algo único que nunca se imaginou, amar uma história que não tem fim, amar algo que a renove todos os dias, amar alguém...
Amar alguém sem nunca o ter visto, amá-lo simplesmente pelas palavras, amá-lo por aquilo que ele é e essencialmente amá-lo por aquilo que a faz ser.
O filme de hoje era pura fantasia, mas ela queria vivê-lo, ela deseja suspirar em cada correspondência, em cada coincidência, em cada virar da esquina, em cada aperto que sinta…
Ela quer ser eu. Ela quer transformar a minha realidade em fantasia, quer fazer-me acreditar que “ele” existe por aí, que me escreverá sem me conhecer, que apostará no mesmo que eu, que ligará apenas às palavras e que saberá todas as fases do meu sorriso. Ela é louca.
Ela faz-me acreditar e sentir o mesmo que ela sente.
Desejo que esta influência seja passageira, que tudo passe como tem passado e que nessa altura, todos perdoem a minha frieza, que voltará!
Mas, por enquanto, vou-me deixar ficar nesta história fragmentada onde hoje e, apenas hoje, percebo que ela…sou Eu.