sábado, 24 de julho de 2010

Diário de Bordo III

Impressionante como nos “confins” do mundo conseguimos ter internet.

É verdade…estou na Bósnia, em Sarajevo, mais propriamente em Ilidza.

O Parque de campismo oferece as condições para pernoitarmos hoje e seguir viagem amanhã para Dubrovnik (Croácia).

Hoje a etapa, embora não exageradamente longa, tornou-se maior pois as estradas na verdade não são as melhores para “comer” quilometragem.

Ora bem, falemos do que realmente interessa contar…

Os dias por estas bandas amanhecem cedo (e o relógio biológico do meu pai também, ahaha!) e como tal por volta das 6h iniciámos o arrumar da “trouxa” pois pela fresca a viagem é mais produtiva.

Chegada à fronteira, páramos para mostrar o passaporte à Croata. Seguimos acreditando que a passagem estava mais facilitada, mas fomos surpreendidos por mais dois controlos da Bósnia. Um deles, com ar e conversa de quem ia dificultar a entrada, acabou por se render a um ar ingénuo e ao sorriso de quem alegou dirigir-se em “holidays” para a capital.

Bósnia…um contraste só passível de descrever enxergando com os próprios olhos.

Observámos muita emigrantada que regressa provavelmente do país onde trabalha para continuar a construir por cá a casa de tijolos que assim ficou meses e meses…vêem provavelmente colocar um pouco mais de cimento.

Vi paisagens comuns e outras muito características.

Vi casas destruídas por bombas e cheias de buracos…disparos que relatam um passado, uma guerra. E atenção, encontramos prédios assim em plena cidade. (tenho fotografias)

Têm muitos cemitérios, dão enorme relevância a isso e todas as campas estão viradas a Ocidente, próprio da religião.

Poucos ou nenhuns são os que falam inglês. Na moeda deles, 2 KM correspondem a 1,08 euros (aproximadamente) e na verdade quando pagamos em euros eles tentam arredondar de tal maneira a ganhar alguma “gorjeta”. É flagrante!

Gostava que todos tivessem a oportunidade de constatar situações como ver crianças de 5 a 10 anos no meio das avenidas onde “brutos” carros passam depressa ou só param nos semáforos e elas tentam a oportunidade de lavar o vidro em troca de quase nada. Entristece, acreditem. Ou então passarmos nas estradas no meio “do nada” e cruzarmo-nos com inúmeras banquinhas de pessoas que passam ali o dia a tentar vender cd’s gravados, peles e tapetes, velharias e o maior cúmulo: bagos de qualquer coisa que se assemelha a amoras, mas em quantias mínimas.

Vemos pessoas nos quintais a contemplar o nada, penso que a questionarem uma vida que provavelmente não saiu daqueles metros quadrados. Mexeu comigo.

No meio de tanta pobreza fiquei parva com o acto de a partir das 9h da manhã os cafés estarem cheios de pessoas com cerveja na mão.

Aproveito para constatar que tive a oportunidade de provar a “Karlovack” e é muito boa!

A aventura surge agora…na procura do parque de campismo.

Tinhamos assinalado um, mesmo no centro de Sarajevo. Encontrá-lo foi uma maluqueira que não deu em nada, perdemos cerca de duas horas.

Comecei por me dirigir a uma esquadra da polícia, onde a língua inglesa era quase nula, mas a recepção foi do melhor. Só queria tirar uma dúvida mas a verdade é que me convidaram logo a sentar, ofereceram-me o almoço deles, frango com batatas fritas e coca-cola. Foram buscar-me um copo e tudo (foi caricato), rejeitei mas fiquei bastante grata com tal hospitalidade. Nos decorridos 15 minutos lá dentro, dei por mim rodeada de 5 homens a “ladrarem” esta língua estranha, cada um a dar a sua sentença, a fazerem desenhos…e na verdade saí de lá nada convencida.

Fomos para o centro da cidade, perguntámos a todo o tipo de pessoas até encontrarmos um rapaz que se ofereceu para nos guiar (guiando ele uma mota) até ao suposto local. Por entre as ruelas mais inexplicáveis pela primeira vez tive medo e só pensava onde nos teríamos a meter. Com as portas trancadas lá o seguimos até à porta de uns homens com pinta de tudo menos proveniente da Bósnia, género de inglês que explora a zona.

Saí do carro para ir falar com eles, e a última coisa que me deu para dizer ao meu pai foi “deixa o carro em forma de bazarmos daqui rapidamente caso algo comece a correr mal!”

O diálogo foi a coisa mais estranha de sempre. Perguntei se era ali camping, se podíamos lá ficar. A resposta foi do género “sim, eu arranjo-vos tudo o que quiserem. Agora, dêem mas é qualquer coisa ao ‘gajo’ da mota, ele quer gorjeta e não se vai embora”. Eu fiquei feita parva com aquela situação. Tinhamos uma miséria de 7 KM de troco de uma portagem, e achei aquilo rídiculo que sem dúvida nunca daríamos euros, entao agarramos em 2 KM e demos-lhe alegando que era tudo o que tinhamos. Eu até estava com medo da cara de mafioso do rapaz, mas ele deve ter achado que eramos um coitados e já nem queria aceitar, mas nós insistimos. “Epa” agora pensando bem foi um momento ridículo, até porque de seguida os outros pedem para nós esperarmos e foram embora do nada. Não sei se era para irmos atrás, mas a verdade é que saímos dali tão depressa quanto pudemos. Felizmente viemos desencantar outro parque mais nos subúrbios, e é daqui que vos escrevo.

Hoje à tarde depois de almoçarmos as 16h e dormirmos a sesta um pouco mais tarde, estavámos no primeiro sono quando somos surpreendidos por três ou quatro tiros atirados ao ar. Ainda por cima aqui perto uma pessoa fica em pânico. Mas nada de alarmes pois segundo consta, já na época do Kosovo quando o meu pai lá esteve em missão, mandar tiros era normal para comemorar casamentos e datas festivas do género.

Bem já me estou a alongar, é tarde e amanhã é mais um dia bem preenchido. Queria só dizer que tive a oportunidade de conhecer a noite em Sarajevo, e…não há palavras!!! Só bares, só música, as raparigas e rapazes são todos altos, bem constituídos, todos com cara de bonecos. Tivemos sorte pois apanhámos um sábado à noite…isto é de tal maneira característico, que arrisco-me a dizer que nunca vi uma “noite” assim.

1 comentário:

João Mação disse...

Isto é escrita a mais para mim :P