sexta-feira, 23 de julho de 2010

Diário de Bordo II

Desde que abandonámos a Suiça este é o segundo parque de campismo que frequentamos. O anterior foi em Itália, e hoje é a segunda noite que ficamos na Croácia. Sim já cá estamos…amanhã partiremos de Plitvicka, mas não para abandonar de vez o país pois na verdade ele ainda nos vai ocupar muita noite desta viagem. Amanhã partimos na tentativa de entrar na Bósnia para lá ficar apenas uma noite em Sarajevo, e regressar à Croácia. Não sabemos como facilitam a entrada nas fronteiras mas a verdade é que estamos confiantes, pelos vistos eles precisam de turistas. Hoje perguntámos a um Croata se sabia se no país vizinho aceitam Euros, pelo que a resposta foi “eles aceitam tudo o que lhes derem, Euros…Kunas…qualquer coisa.”

Deixando de lado relatos pormenorizados, interessa-me falar do que marca realmente esta viagem. Para além dos quilómetros já feitos (calculo por alto cerca de 3.228km), já aconteceram coisas boas e outras menos “bacanas”.

Ainda recordando a Suiça, deu para me banhar, apanhar um grande escaldão, matar saudades e, para a última noite ficou reservado uma longa noite, de grande conversa, choro, riso, desabafo..na verdade eles possibilitam o melhor e faz-me falta, por vezes, ter pessoas como eles a meu lado diariamente. Obviamente que no dia seguinte tinha uma ressaca de cansaço em cima (e não só…mas o que acontece em Chermignon, por lá fica).

A viagem anterior, a caminho da Itália, proporcionou óptimas paisagens e grandes panoramas, deu muita vida ao olhar daqueles que tudo querem conhecer.

Ontem, a chegada à Cróacia gerou mais stress. Engraçado como se nota a sobrecarga entre quem viaja. O que eu quero dizer é que o cansaço, o medo, o acelerar das emoções gera respostas ou acções mais precipitadas e impulsivas próprias de quem tem muito para dizer mas não sabe como o expressar. Nós não somos excepção à regra. Viajar é muito bom, sortudos aqueles que o podem fazer…mas nem tudo é coberto de perfeição.

À parte das emoções humanas, há outros factores que influenciam todo o percurso mas que nos transcendem.

Já dentro da Eslovénia, “dando graças ao abençoado” ar condicionado que nos anima nas piores alturas, no meio da via rápida onde a monotonia dá lugar ao voar dos pensamentos deparei-me com fumo no interior do carro, cada vez mais e mais, comecei a gritar, reagimos os dois em abrir os vidros e encostar logo o mais depressa para entender de onde vinha. Admito que o coração disparou e na altura só pensei que as férias tinham acabado, que o “boguinhas” tinha dado a última. Obviamente que isto é a dramatização do momento. Tinha sido no isqueiro do carro, devido à ligação ao GPS e ao frigorífico, o calor da sobrecarga entre os fios (acessório colocado pelo meu pai) tinha queimado aquilo tudo. Estava uma lástima. Felizmente hoje o problema já está resolvido, mas ontem na saída da Eslovénia sem GPS e com as baterias fracas vimo-nos “gregos” para decifrar a falta de informação de placas.

Tudo isto deu lugar ao engano em sítios onde tal não podia acontecer: dentro de grandes cidades como Rijeka, onde apenas queríamos levantar kunas, o inglês deles é absolutamente imperceptível e andámos às voltas. Mas lá nos orientamos.

Neste momento escrevo do AutoKamp Korana, em Plitvicka, zona característica por conter 16 lagos e 92 cataratas/cascatas. Levantámos bem cedinho pois o calor por aqui é imenso, já não estava habituada a isto, e passámos por lá a manhã toda. Fartamo-nos de andar, no final é que tive noção do quão longíquo aquilo foi, mas o que contemplei camuflava a cada passo todo e qualquer cansaço. Nunca conseguirei descrever o que vi hoje! Não quero parecer exagerada nem fazer já juízos de valor das coisas bonitas que ainda hei-de ver, mas arrisco-me a dizer que foi a paisagem Natural mais perfeita que alguma vez vi na vida! E atenção que já ando nesta vida desde que uso fraldas.

Tenho fotografias lindas, panoramas perfeitos!

Admito que isto até me motivou mais para o que ai vem, e aguçou o meu espírito que aventura que partiu de Portugal um bocadinho adormecido.

Já me estou a estender muito, mas a verdade é que quero relatar ao máximo tudo…e ter internet pelos parques de campismo é sempre uma incógnita.

Reforço a ideia de que deixarmos pessoas para trás é bom, aumenta a saudade que sentimos de algumas e informa-nos o quão suportamos a ausência de outras.

Até breve…

“São estas as regras da sensatez…vais sentir que desta, que desta foi de vez!”

1 comentário:

Maria Bento disse...

Como é bom ler todas as palavras que tão bem escreves, fico muito contente de estares a gostar dessas férias tão bem merecidas. Amo-te muito muito minha fofinha. Jokidas da tua mama.